Páginas Salteadas | Bolo Peter Rabbit de cenoura com cobertura de queijo quark


“Há algo delicioso em escrever as primeiras palavras de uma história. Não sabemos muito bem para onde nos levam”. No momento em que o meu coração (e o meu olhar de menina de saia rodada) se demorou nesta que é uma das frases mais melodiosas de Beatrix Potter, soube que o meu destino estaria entrelaçado em capítulos de aventuras sem fim. 

Lembro-me de ter oito anos e percorrer as lombadas dos livros infantis da biblioteca da minha sala de aula. Escolhia-os não só pelo título-flecha-no-peito, mas também pelas ilustrações coloridas a aguarelas, as minhas favoritas. Certo dia, num virar de página acanhado, descobri o casaco azul-céu de um coelho espevitado, desobediente e espalha-brasas, o Pedrito. Quando a minha professora me apresentou formalmente o irmão de Flopsi, Mopsi e Rabinho-de-Algodão, do alto das raízes de um abeto, dei-lhe um a quiet british passou-bem imaginário.


Ali, naquele instante de 1996, soube que seríamos companheiros de peripécias na natureza para a vida inteira. Ainda hoje, nas luzes e nas sombras que o vento teima em esvoaçar, encontro-o a espreitar por entre os ramos dos pimentos, cenouras, tomates e framboesas da minha horta biológica, escondido do temível Senhor Gregório. Sim, ele já me confidenciou que não quer acabar por ser apenas mais um ingrediente de uma tarte, como aconteceu com o seu pai. Chamem-me tonta, mas gosto de abrir as portas da minha imaginação para o infinito. E a verdade é que ambos, como animais selvagens e indomáveis que somos, encontramos refúgio na Mãe-natureza, assim como no quentinho da toca da nossa mãe, onde temos sempre um cesto de amoras e uma chávena de chá de camomila à nossa espera. 

Contadora de histórias, aguarelista, botânica, ambientalista, agricultora, feminista e visionária, Beatrix Potter escreveu as mais belas cartas para crianças de que há memória; em forma de contos fantásticos, a flora e a fauna vestiam-se de emoções em todo o seu esplendor. O seu coração, tal como os campos, pediu pousio no Parque Natural Lake District, no Reino Unido. Nos verões que aqui passou deixou que os tesouros escondidos na floresta crescessem vivazes com a frescura do verão. E foi a partir das memórias relatadas nos seus diários, compilados com a sua própria caligrafia no livro Beatrix Potter, A Journal, que encontrei a inspiração para criar a minha receita do mês de setembro e a minha edição privada de "The Tale of Peter Rabbit"


Bolo Peter Rabbit de cenoura
[Serve 16 pessoas]

Ingredientes
2 chávenas de farinha de coco biológica (Seara)
1/2 chávena de açúcar de coco (Urtekram, à venda nos supermercados Go Natural)
2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de canela
1 colher de chá de noz moscada
3 quadrados de chocolate negro 85% e laranja com stevia (Belarte, à venda na loja Celeiro Integral e nos supermercados Go Natural)
3 bolachas crocantes com sementes de girassol e frutos secos
1/2 colher de chá de sal
3/4 de puré de maçã 100% fruta (Diese)
1/4 de chávena de óleo de coco (Origens Bio)
4 ovos biológicos
3 chávenas de cenoura biológia picada

Cobertura
Queijo quark
1 colher de sopa de açúcar de coco
Raspas e chocolate negro e laranja
Cenouras biológicas do Ninho do Vento

Ao jeitinho do Ninho do Vento
Numa taça ampla juntem a farinha e o açúcar de coco, o fermento, a canela, a noz-moscada, o sal, o chocolate e as bolachas, envolvendo o preparado com a vossa batedeira mágica. Numa tigela à parte combinem a compota de maçã, o óleo de coco e os ovos. Coloquem três chávenas de cenouras numa picadora e, de seguida, mesclem todos os ingredientes da receita num só recipiente, até obterem a massa do vosso saudável bolo de cenoura.

Vertam o líquido para uma forma redonda, previamente untada com manteiga biológica e farinha de coco, e espalhem uniformemente por todos os recantos. Pré-aqueçam o forno na temperatura máxima e, a seu tempo, deixem a massa ganhar forma e aroma durante uma hora. Não se esqueçam do truque antigo (e infalível) das nossas queridas avós: insiram o palito na zona mais espessa, para verificarem o ponto de cozedura. Deixem o bolo arrefecer durante dez minutos; só nesse momento poderão decorá-lo com a vossa cobertura do bem. Sejam audazes, tal como o Pedrito Coelho, e não caiam na tentação de acrescentar o típico chocolate  negro ou o enjoativo queijo creme (em versão cupcake fica delicioso, talvez por ser colocado em menor quantidade). Optem então por barrar o vosso tesouro do bosque com queijo quark, raspas de chocolate negro e laranja, e cenouras biológicas (as minhas, desajeitadas, encarquilhas e perfeitas na sua imperfeição, foram colhidas da minha horta orgânica).

"O Pedrito deu-se por vencido e chorou amargamente; mas os seus soluços foram ouvidos por uns pardais simpáticos que voaram para ele muito excitados, implorando-lhe que se animasse e não desistisse". 

Os pássaros, os de seda e de amor absoluto.


Acompanhem as receitas das restantes bloggers do projeto Páginas Salteadas:
Catarina Sousa, Joan of July
Vânia Duarte, Lolly Taste
Andreia Moita, Andreia Moita Blog

6 comentários:

  1. Respostas
    1. A receita é saudável, minha querida. Experimenta! ❤

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  2. Que lindo!
    E quanta nostalgia
    Um beijinho ❤

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  3. já te tinha dito e volto a dizer, esta receita é puro amor. Os detalhes são muito apaixonantes. Já a guardei e vou de certeza fazê-la num fim de semana de Outono :)

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    1. Que bom ler-te, minha irmã do coração. As tuas palavras deixam-me iluminada e com vontade de continuar a partilhar as minhas memórias felizes. ❤

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